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Último episódio Eisenbahn Mestre Cervejeiro

Por: Bia Amorim

21/12/2017
Último episódio Eisenbahn Mestre Cervejeiro

Hoje é o último episódio do reality Eisenbahn Mestre Cervejeiro. Por conta disso resolvi escrever o texto que estava guardando a algum tempo sobre essa nova tentativa de conversa com o mercado.

No setor de Alimentos & Bebidas os programas sobre culinária existem as pencas. Dezenas de canais são quase que exclusivos de seriados e outros tipos de entretenimento televisivo. As bebidas vêm chegando aos poucos em busca desses ávidos espectadores, com formatos diferentes para públicos diferentes.

No quesito cerveja, pouco temos como exemplo. Alguns gringos já tinham chegado no Brasil e o Youtube também aproxima esse tipo de conteúdo com um formato mais acessível. Mas estamos falando especificamente de TV aqui. De atingir um público que não vai exatamente digitar no Google uma busca tão focada.

Com o convite para participar como jurada, tremi as pernas. Muita coisa passou pela minha cabeça. Se estava pronta para tal, se este seria um caminho de exposição profissional, se a validação social seria muito tortuosa, se, se, se, se, se. Como é cansativo validar todas as expectativas. Ferver a mente. Confiei e pronto. Resolvi aceitar pois ao longo dos últimos anos tenho dedicado minha vida a este setor. E no final das contas, existe uma mensagem a ser passada.

O formato de reality pode não parecer tão legal para algumas pessoas, mas convenhamos que se os espectadores querem entretenimento, um certo suspense e algum contato com o meio, funciona e bem. Programas como o Master Chef povoaram as noites brasileiras, que buscam dentro daquilo que já vivenciam, ver com novos olhos esse setor tão em evidência. Por que não a cerveja artesanal também fazer isso?

É claro que com a internet muita gente consegue de maneira pública fazer suas críticas e dizer o que acha que está errado ou o que está certo ou que deveria mudar ou que poderia ser melhor. Mas percebi que é preciso passar por cima disso tudo quando se atinge um número muito muito imenso de pessoas. Empatia poderia ser algo mais usado, mas muita gente prefere sair berrando mesmo. Tá cheio de críticos por aí, mas nem todos tem essa credibilidade toda para que esteja certo sobre determinado assunto. Paciência.

Vi muitos cervejeiros caseiros falando mal do programa por conta da maneira como foi apresentado o concurso. Vi críticas construtivas importantes, coisas que tenho certeza que podem ser utilizadas futuramente. Mas pensem como é difícil criar uma dinâmica que seja absolutamente perfeita logo de cara, acertado de primeira, sem nadica de nada para mudar. Quem aqui fez uma cerveja em casa e na primeira brasagem fez a melhor Bohemian Pilsener que já existiu?

O mercado precisa de união. De pessoas que estão dispostas a passar pelo que for preciso para a mensagem chegar a mais pessoas. E por isso eu me juntei a equipe e resolvi olhar de perto essa nova tentativa. Fiquei feliz demais ao encontrar pessoas que eu admiro e trabalhar com profissionais que levam muito a sério o que fazem.

Foi um aprendizado constante conviver com o Juliano Mendes e seu empreendedorismo. Saber mais sobre a saga do queijo que vive nos dias de hoje, vibrar com as fotos que ele recebia com o lote novo e lindo de queijos com aquele mofinho branco em cima. Conhecer mais sobre a pessoa que fundou uma cervejaria, que ajudou a mudar a forma como toda uma cidade (e uma região e até um país) com fama de cervejeira age. Não é uma história qualquer.  

Já tinha esbarrado no Sady em outros eventos e julgado outros concursos juntos, mas nunca tive a oportunidade de coexistir ao lado dele. Ouvi histórias sobre as histórias. Falei sobre rock and roll com quem respira a música. Aprendi sobre química e fusão de núcleo em apenas uma carona na mesma van. Ele é uma pessoa que está no mercado de cervejas e música a tanto tempo que ambas as coisas são intrínsecas a ele. Bah! Foi marcante.

Conheci a Marina Person, falamos de kombucha e arte em pequenos intervalos de gravação. Aquela pessoa que habitou a minha TV com música durante toda a juventude. Estava ali gravando e eu estava junto. Nunca poderia ter imaginado isso.

O que falar dos cervejeiros caseiros que estavam por lá? Torci para todos. No último episódio poderíamos ter feito uma festa e todos ganhado. As cervejas que eles fizeram passou por muitas etapas. Foram para um laboratório, passaram por uma banca de muitos jurados, passaram pela questão de disponibilidade de ir gravar durante dias fora de suas cidades. Tiveram a coragem de colocar a cara na tela e mostrar para o país todo como é fazer cerveja em casa. Acertar e errar. Beber e comemorar. Allan, Ivan, Gustavo. Fernando, Raul, Rodrigo. Guga, Lucas, João. Todos representam de alguma forma os animados cervejeiros caseiros do país. Estudiosos, geeks, nerds, entusiastas, professores pardais, bebedores de sua própria cerveja.

Cerveja caseira é sempre uma busca. No reality eles também buscavam algo mais do que só fazer cerveja. Mostraram que o homebrew pode se divertir com o tema, estudar mais o assunto e também erram e acertam. É constante a caça.

Ainda bem que não estávamos sozinhos e Kathia Zanatta, Amanda Reitenbahn, Fernanda Fregonesi, Rodrigo Martins, Anderson Faller, Lucio Botelho e Gerhard Beutling estiveram na saga junto. Referências do mercado que se disponibilizaram para dar mais sabor ao caldo. Todos do mundo real, caindo sem saber como no mundo da TV.

Eu não estava preparada. Não sabia o que fazer ou como agir. Onde olhar, como olhar. Quando chega a hora e o diretor fala no set “gravando” o coração aperta e quase salta pela boca. Ainda bem que a equipe da Endemol estava lá. Sério mesmo. Que grande equipe. Um clima daqueles que as pessoas estão lá para juntas fazer algo bacana acontecer. Horas e horas e horas de gravação. Eu só sei que vinte e tantos minutos foi muito pouco para passar tudo o que se passou. Mas desapeguei disso. Trabalhamos muito mesmo. Cenário lindo, luz, som, roteiro. Como essa receita é também complicada. Água, malte, lúpulo, leveduras. Tudo precisa de harmonia e maturação.

Para finalizar, acho que a Eisenbahn teve um entusiasmo incrível. Tem portfólio para fazer algo assim, mostrar estilos de cerveja, mostrar um cenário cervejeiro, dar a cara a tapa para todo um país. Precisamos de iniciativas que ajudem a crescer o share, ainda tímido de 1%. Que muito se desdobre disso tudo. Que outros modelos e outros formatos se apresentem para o público da cultura cervejeira. Vamos despertar a curiosidade de quem só bebe pilsen. Vamos instigar os bebedores de main stream.

No mais, agradeço a todas as pessoas que derem a maior força. A perna bambeou, mas tem aquele ditado que diz “e se der medo, vai com medo mesmo”.



Bia Amorim
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