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“Eu não sou emagrecedora de pessoas”

25/04/2018

por: Fran Micheli
“Eu não sou emagrecedora de pessoas”
Foto: Bia Amorim

O que te vem primeiro à cabeça quando ouve a palavra “nutricionista”? Alguém atrás de uma mesa, de jaleco branco, com a pirâmide alimentar em um pôster na sala e bravo porque você contou que gosta de pão com manteiga, bacon, macarrão e refrigerante, certo? Sim, esse é o estereótipo da maioria dos profissionais de nutrição atuantes no mercado. Porém, a nutricionista Marcia Daskal é uma exceção. E das boas.

Ao chegar em seu consultório (que, na verdade, é uma casa fofa onde ela realiza os atendimentos na mesa de madeira da cozinha), já encontramos algo diferente. Sem jaleco e com um abraço apertado, Márcia nos recebe mais para um cafezinho entre comadres do que para uma consulta em si.

Absolutamente contra modismos, dietas restritivas e rótulos nutricionísticos, ela tem orgulho ao contar sobre sua linha de atuação: a nutrição amorosa. Na visão dela, não dá pra separar o ato de se alimentar do prazer afetivo de comer. “Vivemos em uma cultura que prega a inadequação da saúde da saúde o tempo todo e a consequência é uma overdose de diagnósticos: coma isso, não coma aquilo, isso é ruim, isso é bom. Você nunca está tão bem quanto acha que deveria, é uma época de exageros”. E avisa: “cada hora é um herói da nutrição. Pode esperar, daqui a pouco vai ser a banha de porco”.

Aqueles nomes chiques para coisas que já conhecemos

Márcia explica que a percepção nutricional e, consequentemente, o mercado que orbita em torno disso, passa de forma cíclica por tendências específicas. Sempre vai haver o mocinho e o bandido, o salvador da pátria e o vilão da dieta. Lembra da febre da ração humana? E da farinha de berinjela? E da goji berry? E da maca peruana? E do chá verde? E da dieta da lua, dos pontos, a paleolítica, da USP, do ovo? E a lista das modas que passam não acaba nunca.

“Veja, atualmente, vivemos duas frentes nutricionais. Uma da hiperespecialização que busca concentrar nutrientes em cápsulas, farinha ou qualquer outra forma que não se pareça com comida. E a outra é o retorno às origens, ao feito em casa, à plantação do quintal, à alimentação natural”.

Márcia ainda fica perplexa ao contar que tem gente que chega ao consultório pedindo suplementação porque não tem tempo de comer. “Gente, se até piloto de Fórmula 1 para no pitstop para reabastecer, por que a gente quer pular essa necessidade?”.

Na nutrição amorosa, Márcia leva em conta não só o estilo de vida do paciente e suas necessidades nutricionais, mas sim, aquelas coisas que fazem ou não fazem sentido para a pessoa dentro de um contexto pessoal. E isso, só depois de longas conversas. A consulta é quase uma sessão de terapia.

Mas e os casos extremos? Dá pra resolver só com amor?

Perguntamos à Márcia se, em casos de obesos mórbidos ou pessoas com doenças metabólicas graves, a “nutrição amorosa” não seria leve ou permissiva demais. Afinal de contas, cada indivíduo tem uma relação com a comida, que pode ser benéfica ou catastrófica. “Em vez de dizer que o paciente deve emagrecer tantos quilos, pergunto a ele qual o espaço que ele quer ocupar no mundo. Quando eles assumem o que querem nesse sentido, ficam mais seletivos com o que põem pra dentro”. A mágica, então, acontece a partir de uma transformação de consciência muito pessoal, onde não é mais necessária a personagem do nutricionista carrasco ou dono da verdade absoluta.

Segundo ela, muitos pacientes mudaram a vida drasticamente. Desde o relacionamento com esposa, com chefe, com amigos, com si mesmo, passando até por quebras de ciclos inconscientes que vinham da infância.

Márcia contou sobre uma paciente adulta que mostrou, em consulta, um desenho que havia feito aos 8 anos. Nele, constavam sonhos para o futuro: uma loja de chapéus e acessórios, uma família e, pasme, um livro de regime. Este último, influência da mãe viciada em dietas. O desenho foi rasgado no consultório e marcou uma nova e liberta fase para a paciente.

“Não posso fazer nada com quem não enxerga a necessidade de mudança. Nós mudamos sempre pela força ou pelo afeto. E aí a galera fica nesse ‘foco, força e fé’, eu não entendo. Cada um é dono da própria vida e não é um nutricionista que vai dizer o que tem que fazer. Dentro de si, cada um já sabe o que é preciso”.

Nutrição fora da Caixa

Depois de se formar em Nutrição pela Universidade de São Paulo, se tornar mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo, especialista em Nutrição e Dietética e se formar em Health and Wellness Coaching pela Wellcoaches/Carevolution (ufa, o currículo é grande), Márcia começou a atrair a atenção da mídia tradicional e dos seguidores em suas redes sociais pelo posicionamento “fora da caixa”. Uma foto em seu Instagram de uma fatia de queijo com goiabada ganhou a irônica legenda “Pré-treino. E você aí chacoalhando a sua coqueteleira”.

E foi nessa sintonia que o projeto “Nutrição fora da Caixa” foi lançado no mês de abril, na Livraria da Vila, em São Paulo. Trata-se de uma caixa com várias cartas provocativas que propõem um novo olhar sobre a comida e sobre a sua relação com ela.

“Você pode usar uma carta por semana ou várias de uma vez, seguir à risca a instrução ou apenas se inspirar nela. Pode tirar sozinho ou para outra pessoa, fazer em grupo, dupla ou seguir carreira solo. As cartas podem ficar na carteira, grudadas na geladeira ou “esquecidas” por aí, ajudando outros a pensarem fora da caixa.
Não existem regras: é só usar o material como achar melhor”, explica.

Foto: Divulgação

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