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Mercado cervejeiro, na real

29/10/2017

por: Bia Amorim
Mercado cervejeiro, na real
Cenário do Reality: Pedro de Alcantara. Imagem Divulgação.

Mestre Cervejeiro, o reality sobre cervejas caseiras, estreou essa semana no canal TNT. Produzido pela Endemol Shine do Brasil, famosa produtora internacional de programas com o mesmo desenho.

A cerveja chegou na TV. E eu estava lá. Aconteceu.

Fiquei me perguntando o porquê de participar de algo assim. E olhei o cenário cervejeiro atual sob a minha perspectiva.

Fazer com que as pessoas se sintam curiosas por um assunto é pescar com isca. Não adianta ter só uma boa vara e anzol. Como chamar atenção dos 99,4% de brasileiros que não tomam cerveja artesanal? Que não sabem que isso existe, que nunca pensaram que a cerveja poderia ser outra coisa que não só cerveja. Colocamos um sobrenome e as pessoas ainda não sabem que valor tem isso.

Mas o valor é caro. E esse é um dos motivos pelos quais ainda não se consegue chegar “lá”. Olhando para o planeta, muitos locais onde a cerveja fomenta a economia de maneira mais forte as práticas de impostos são muito mais humanas e justas. A legislação não está contra as boas iniciativas, não é tão retrógrada quanto a que temos aqui. Pode-se dizer que tem melhorado também. Antigamente registrar uma cerveja demorava uma eternidade e muitos produtos não poderiam ser adicionados. Essa batalha continua, mas com soldados mais sabidos, galera que já está com calo por não desistir.

Ao meu ver, a questão de logística é complicada em todas as esferas. A forma como a cerveja se desloca é supercomplicada e cara (como matéria-prima e depois envasada). Nos falta muito evoluir nesta questão de malha viária e caminhões e temperaturas elevadas.... E a logística da pessoa que bebe !?! Com a chegada dos aplicativos de motoristas a lei seca se tornou mais eficiente, mas não resolve realmente o problema que o país tem com transporte público. Isso também encarece o rolê.

O mercado cervejeiro artesanal no país não tem nem 30 anos, ainda estamos amadurecendo e quando digo mercado cervejeiro, não falo somente de cervejarias. Precisamos sempre lembrar de adicionar nessa lista todos os desdobramentos que é preciso para a cerveja estar gelada no copo de alguém. A cadeia cervejeira hoje emprega muita gente direta e indiretamente. Se falarmos em setor como um todo é um mundão de brasileiros que todos os dias lidam com a fermentação do malte, lúpulo e afins pelas leveduras. Distribuidoras, importadoras, transportadoras, mercados, empórios, supermercados, bares, restaurantes, lojas de presente, e-commerce, sommeliers, escolas de ensino cervejeiro, cooperativas, fábrica de equipamentos, cervejeiros caseiros, organizadores de eventos e assim por diante. Existem muitos profissionais trabalhando para a cerveja estar gelada no copo de alguém.

E todos os anos de estudo que temos que ter para saber algo de alguma coisa? A cerveja também pode ser mais estudada. E vemos cada vez mais profissionais melhorando sua capacidade de compreender os fatos. Muita gente viajando para fora do país para buscar na fonte inspiração e conhecimento. Muitos cursos acontecendo por aqui para a montanha de gente que sente curiosidade pelo assunto. Profissionais que querem se aprimorar, gente que muda totalmente de ramo, jovens que tem a possibilidade de já chegar nesta fase.

Nem todo mundo para fazer cerveja precisa passar a vida estudando, mas a gente sabe que para fazer uma cerveja muito boa precisa sim ter conhecimento técnico e também experiência, vivência de hora copo com diversos estilos, ler livros de diferentes autores, saber mais sobre o que cerca a cerveja e afins. O mercado de cervejas é assim também, faça cerveja, mas se quiser cerveja bem boa estude muito.

imagem: freephotosbank

Pensado tudo isso, fui convencida em tentar dar minha contribuição de alguma forma diferente da atual. Um reality parece ser divertido, emocionante. Espero que bares e empórios, confrarias e turmas de amigos se inspirem e vejam a cerveja com os olhos da diversão. Os jogos podem ser algo a copiar, criar pequenas gincanas, formatar seu próprio programa. Conhecimento cervejeiro como forma de curtição. Gosto deste formato.

Resolvido.

30 minutos não vão nunca conseguir ensinar as pessoas sobre algo que é tão cientificamente profundo. Mas garanto que a equipe de roteiristas estudou tanto o mercado que acabaram eles mesmos fisgados. É um desafio. Desapego. Cada episódio na verdade deve ter algo como 5 horas de gravação. Imaginem transformar isso em 30 minutos e tudo fazer sentido. Vai sempre faltar alguma coisa, algum comentário, uma explicação mais longa sobre aquilo, sempre alguém vai reclamar. Gregos e troianos  entendem que não se agrada a todos. Assim como o lúpulo, tem seus fãs.

Outros programas, como o Cervejantes, já tinham dado o ponta pé inicial para a cerveja ter espaço nas telinhas. Existem boas séries no NetFlix como o Craft Nation (Os novos mestres cervejeiros), além de filmes que a temática tem certo destaque. Sam Calagione, galã mundial da cerveja tem a série Brew Masters, que mostra o dia a dia e peripécias de um cervejeiro como ele e a rotina da Cervejaria DogFish, passa nos canais pagos a tempos. Desde sempre eu me divirto muito com um especial da Discovery sobre a cerveja ter salvado o mundo, com legendas, pode assistir aqui. O Cerveja Brasilis foi um projeto que durou pouco, tinha um conceito super bacana. Alguns vídeos podem ser vistos aqui. Brew Dogs também faz sucesso, a série conta sobre James Watt e Martin Dickie, viajando pelos EUA, eles são da famosa Cervejaria BrewDog, que tem rótulos bastante inusitados.

Espero que esta seja mais uma das iniciativas, de tantas que têm surgido, para mostrar aos brasileiros que a cultura cervejeira pode ser algo muito importante para o país. Vamos cada vez mais ver essa tradição cervejeira se formar como uma questão de possibilidade turística e gastronômica regional, entretenimento para pessoas que saibam como usufruir com moderação e responsabilidade. Olhe para os países onde isso já acontece. Aqui também, muito aos poucos isso tem melhorado e acontecido. Mas a % é quase invisível.

O mercado é um farelo ainda.

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