Para o topo
Farofa Magazine
Farofa Magazine

Cervejas com terroir

Por: Diego Simão Rzatki

04/01/2022
Cervejas com terroir

Moleque 2022 já está entre nós, todo serelepe e alegre, imbuído na confiança coletiva de conter a chave para dias melhores. Mas não por isso que devemos esquecer 2021. Maltratado, mal-amado e até odiado por alguns, tem seus pontos positivos, um deles, no mundo da cerveja. As cervejas com terroir estão vindo por aí.

Ok, sei que usualmente retrospectivas são feitas no fim do ano, mas bora lá abrir uma exceção. Entretanto, antes de iniciar, vale explicar o que é cerveja com terroir.

Se tratam de cervejas selvagens que buscam expressar as condições locais, e não falamos apenas de insumos, mas também do uso de microorganismos locais para fermentar e usar o clima local para comandar a temperatura de fermentação. Afinal, não adianta usar microorganismos locais e usar temperaturas análogas à Bélgica. Assim como também não cabe usar microorganismos de outros países ou de outras regiões, tendo em vista que o intuito é descobrir o sabor local. Cervejas com terroir pressupõem respeito as condições clima, microorganismos e insumos. Até podemos falar que, toda cerveja com terroir será selvagem, mas nem toda cerveja selvagem é de terroir.

(imagens do autor)

E o artigo aqui, aliás, nem é para tocar na minha cervejaria, a Cozalinda, ou outras cervejarias já bem conhecidas, venho para falar de um “boom” de projetos voltados para este sentido. Não são muitas cervejarias, mas dada a complexidade produtiva, mostra uma tendência, bora falar dos entrantes!

Somente em 2021 surgiram quatro novos projetos super legais, os quais já estão rodando brejas feras: Fermentaria Local (SP), Cervejaria Brettana (ES), Endemic Brewing Co (SC) e Quinta do Belasca (SC). Todas já estão vendendo suas primeiras garrafas e tive a oportunidade de provar elas. Cervejas complexas, refrescantes, mas cada qual com uma identidade única. Sinônimo que cada uma está conseguindo expressar seu terroir, com sua identidade própria desenvolvidas por seus cervejeiros.

E não para nestes projetos. Em 2022 é certo o aparecimento de mais cervejarias voltadas principalmente para este tipo de produto. Uma é a Brassaria Curupira (SP) que produz cervejas com terroir usando insumos produzidos em regime de agrofloresta. Frutas locais e uvas americanas de mesa compõe o arsenal usado nas criações, incluindo uma cerveja selvagem com uva Lorena, que particularmente, foi uma das cervejas que mais me impressionou este ano, desmistificando o preconceito que só com uvas europeias que se faz boas “grape ales”.  Mais ou menos pelo mesmo caminho, outro projeto fazendo somente cervejas com uva, a Cosabella (RS), inicia venda de suas primeiras garrafas no primeiro em 2022, sendo que as uvas americanas e o terroir de onde elas vêm, ganharão destaque.

2022, portanto, tem tudo para consolidar ainda mais cervejas selvagens com terroir. Mais um braço nesse complexo universo cervejeiro que fica cada vez mais maduro no Brasil. E nossa sorte, o país geograficamente abundante em diversidade de regiões com características únicas e tão dispares entre si, habilitam o aparecimento de brejas singulares. E claro, para nossa sorte, temos cervejeiros competentes para parir cervejas “word class”.

Particularmente, o que me deixa ainda mais feliz, além de ver esse crescimento, é saber que pude ajudar de alguma forma. Não fazia ideia o quanto as “lives”, vídeos e aulas que dei sobre a produção de cervejas selvagens e tocando no assunto do terroir, ajudaram. Agora cabe a essa nova comunidade, trocar ainda mais conhecimentos e ideias consolidar este movimento de brejas de terroir, onde já tem gente pegando firme.

Era isso. Só queria avisar que a Era das Brejas de Terroir, pelo menos no Brasil, tá no horizonte. Além de trazer novidades que o mercado sempre está sedento, tratará também novas discussões como cervejas sustentáveis, orgânicas e devem contribuir enormemente para o esforço do estabelecimento da tal da Escola Brasileira de Cerveja (que podemos falar em outra oportunidade). O processo é demorado, complexo e difícil, mas vai ser animal.



Diego Simão Rzatki
Diego Simão Rzatki

Comente aqui:
Voltar para a página anterior
download edição atual
FAROFA #3

saiba antes, saiba mais: