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Eu e a cerveja, dia dos namorados

Por: Bia Amorim

10/06/2019
Eu e a cerveja, dia dos namorados

Foto: Mariana Smania beertalk Eisenbahn 2019

Não tinha sido paixão ainda. Eu tinha 28 anos e bebia cerveja já fazia uma década. Mas foi só depois que eu realmente me aproximei, revi meus pré-conceitos, foi que olhei para a cerveja como nunca antes. Aquela blond, pilsen com poucas qualidades sensoriais não ia mais ser meu par.

Apesar de na vida real os primeiros momentos entre um casal serem quem sabe “os melhores”, já que na paixão tudo parece ótimo no começo, na cerveja não acho que seja assim. Veja bem, esse começo de namoro me fez provar coisas amargas, contextos que eu não conhecia. Me relacionar com as famílias deste novo crush foi algo extremamente novo, provei de culturas que eu não apreciava. Quando foi a época certa, a cerveja me fez provar sabores azedos. Fiz careta, ela achou bonitinho e não tirou o pé do assunto até eu ver a beleza das coisas ácidas.

Mas o amor me tornou, vejam só que coisa, menos amarga na vida, menos azeda no humor. Não volto para as paixões antigas mesmo que elas me tragam boas memórias de festas absurdas, risadas sem fim e ressaca com gostinho de quero mais. É caso antigo. Respeito e coloco tudo na caixinha junto com o diário cheio de medos imaturos e história boas, mas sem sabor.

Depois de fazer as “bodas de papel”, já sabia que as escolas cervejeiras eram importantes para o aprendizado das culturas, não só pelo sabor, mas sua importância histórica. Depois de fazer “bodas de algodão” sabia que as texturas e outros elementos, faziam parte da estruturação do sabor e comecei a entender alguns estilos mais específicos de comportamento do meu amor. 5 anos se passaram e comemoramos “bodas de madeira”, o que fez sentido, pois neste ponto eu já entendia que maturação é importante para alguns relacionamentos, seja em um barril de carvalho, seja em um tanque de lager.

As “bodas de açúcar” ao completarmos 6 anos de convivência, deixou claro que cervejas mais maltadas tem sua graça e o amargo que tinha me tomado como paixão, se abriu a novas experiências. Quanto mais açúcar, mas álcool para as leveduras, ou seja, aquecemos o convívio nesta etapa importante. Vivo hoje, quase 10 anos depois, um relacionamento maduro, maturado, envelhecido em madeiras, com notas sensoriais ainda cheias de mistério. Mas essa relação criou um respeito entre as partes.

Todo o amor que ando bebendo ao longo desse tempo de relacionamento, esse namoro, me fez uma pessoa melhor. Entendo os perigos de se amar demais, extrapolar meus limites. Sei dos detalhes de sua formação, tenho empatia pelos defeitos e tentamos juntas aperfeiçoar o convívio. Neste tempo consegui ver que tanto a cerveja quanto eu, crescemos e podemos nos reinventar, seduzindo inclusive pelas novidades, inovações ou até mesmo pela tradição, costumes antigos, aprendizados do que já foi. A gastronomia, neste caso de amor a cerveja, é uma arte e pode ser gole a gole beijada com respeito.



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