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Hoje não quero uma cerveja tóxica

Por: Bia Amorim

21/05/2021
Hoje não quero uma cerveja tóxica

"Mulheres do mundo, este é só o começo" Foto Ehimetalor Akhere Unuabona via Unsplash

Na real eu demorei para escrever, estou acompanhado faz alguns dias e o assunto já saiu da língua inglesa e está correndo o mundo pelas redes sociais e até nas nuvens. Casos de assédio, machismo e todos os problemas do patriarcado estão nos trends do mundo cervejeiro, de novo. A gente demora não só para metabolizar o álcool da cerveja, mas para desassociar todos os problemas que temos neste mercado.

Não acho que a culpa seja da cerveja como o objeto, sabe? Não é o álcool que faz as pessoas serem quem são. Isso é clichê e raso demais nessa lama funda que sai dos tanques cervejeiros. Quer saber qual o bafáfá?

“A indústria da cerveja artesanal está em fase de avaliação. Anunciada como fundada nos pilares da comunidade e colaboração, esta indústria dominada pelos homens falhou em reconhecer que suas fundações também foram construídas sobre o alicerce defeituoso da misoginia, masculinidade tóxica e privilégio.” (tradução Google) “The craft beer industry has been due for a reckoning. Billed as being founded upon the pillars of community and collaboration, this male-dominated industry failed to acknowledge that its foundations were also built upon the faulty bedrock of misogyny, toxic masculinity, and privilege. (CHAN, 2021)” (Original AQUI). Esse resumê foi tirado do artigo de Tristan Chan no site PorchDrinking que fez uma matéria sobre o assunto.

O Brasil não está longe dessa avaliação que o autor fala e muitas provas disso ainda serão colocadas para esse nova fundação. Este texto é de dois dias atrás, tá quente e ainda borbulhando.

No momento o centro das atenções é o Instagram da Brienne Allan (@ratmagnet), gerente de produção da Notch Brewing, em Salem, MA (Estados Unidos). Ela teve coragem de denunciar episódios de assédio que sofreu e encorajou outra mulheres a fazerem também. Até o momento, é quase incontável o número de pessoas que já denunciaram. Mas, sabemos o que é calculável, e nos Stories tem mais de 10 destaques, com um quase infinito número de pontinhos com histórias de outras mulheres. Além do mais, agora tem uma planilha com mais de 195 casos relatados, organizados com o nome do local e o ocorrido. Um B.O. online e ao vivo, com mulheres preenchendo e contando seus casos.

 “Um pôster anônimo começou a compilar um documento rastreando a infinidade de cervejarias e indivíduos chamados a partir dessas histórias; no entanto, deve-se notar que PorchDrinking não foi capaz de verificar a identidade do originador desta lista, nem foi capaz de verificar a exatidão das reivindicações feitas por esta lista.” (tradução Google, original AQUI)

Desde 2016 a gente vem falando sobre isso aqui no Brasil. Eu ainda tenho cerveja do projeto E.L.A na minha geladeira, estou guardando para tomar com mulheres incríveis que eu tenho a oportunidade de dividir espaço nesse mercado e homens também, aqueles que tem a noção, humanidade e evolução contemporânea necessária. O ELA foi para mim um despertar, de que era preciso uma comunidade, que se abraçasse e se entendesse.

Se você é mulher neste mercado cervejeiro, saiba que você não está sozinha.

Falar sobre isso é sempre dolorido, nojento, ridículo, brutal. Eu ia abrir uma cerveja, porque é sexta-feira, mas resolvi algo mais forte e montei um Boulevardier. Hoje não quero tomar cerveja nesse ambiente tóxico, a realidade é que ainda precisamos falar muito e muito.

Podemos nos questionar, se ainda estamos negligenciando essa conversa adulta e necessária? Que tal mais harmonia do que harmonização? Esse é o tipo de reflexão muito, muito profunda, de quebrar paradigmas, deixar de lado tanto que nos foi passado como cultura, mas que sabemos o nome atualmente, patriarcado. Talvez os pais ensinaram assim, como deixar para trás esse legado? Solta essa desigualdade e sofrimento.

Mas não falo só de homens, pois nós mulheres também fomos criadas machistas. É uma lição do lar, de casa, de home office, chame como quiser. Mas é uma mudança interna e não há bebedeira para você culpar, entende?

E se acha que estamos bem é só ir procurar os dados, dar nome aos os bois. No Brasil também chamamos de gados, propensos ao pensamento antigo e retrógrado onde as mulheres só tinham valor se não tivessem poder. Os tempos mudaram e os dias de hoje nos mostram que ou as atitudes mudam, ou serão quebrados em pedacinhos. Não há espaço, paciência e pano para comportamentos como esses. Tão cansadamente relatados.

E esse mundo ideal existe? Essas pessoas desconstruidonas existem? Temos de maneira geral pessoas que são muito legais, não é uma crítica generalizada. Mas enquanto mulheres estiverem sofrendo, todo mundo também sofre. Zero preconceito, um mundo melhor.

Saúde! Física, mental e emocional.

*Deixo aqui dois links importantes, o código do B.A e da Abracerva (que nasceu em 2020 por episódios da turma que não consegue aprender)

CÓDIGO DE CONDUTA – BREWERS ASSOCIATION

CÓDIGO DE ÉTICA - ABRACERVA

LINKS SOBRE PATRIARCADO, ASSÉDIO, FEMINISMO E FEMINICÍDIO

Texto: This is Craft Beer’s Moment to Address History of Misogyny, Sexual Harassment and Abuse 



Bia Amorim
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