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Nunca foi tão importante beber menos, mas beber melhor

Por: Bia Amorim

10/11/2020
Nunca foi tão importante beber menos, mas beber melhor

Milk Drops Manga e Kiwi. Milkshake IPA da Ux Brew. Foto: Thiago Monteiro

O longo 2020 fez parecer que faz um milênio que estamos vivendo este momento de pandemia. Nossos corpos acostumados com banquetas de plástico e mesa alta de balcão não esperavam ficar tanto tempo longe da brasileira cultura do boteco, dos amigos, dos encontros, das cervejas.

Como você consumiu cerveja este ano?

Mudamos as rotas, trocamos os canais de compra, alteramos nossos comportamentos. E seu gosto, mudou? O volume que bebia antes é o mesmo de agora?

Existem muitas perguntas que podem ser feitas e as respostas devem ser variadas. Tenho colegas que começaram a beber mais em casa do que antes. Conheço gente que resolveu aproveitar a ausência nos bares e dar um tempinho. Ou apenas diminuiu o ritmo.

Desde que eu entrei no mercado de cervejas artesanais, ouço o dito popular “beba menos, beba melhor”. Para quem tem o bolso cheio e o fígado novo, talvez não faça sentido. Já ouvi gente bravejando contra, que é bobagem, que quer mesmo é encher o caneco.

A reflexão que eu trago aqui é: menos e melhor, tem algum privilégio?

Acho que cada um tem o consumo como acredita que é melhor para si. Mas, depois que eu conheci as cervejas chamadas de “artesanais”, nunca mais olhei para trás e voltei a consumir as garrafas de outrora.

Sabor tem valor.

Equilíbrio tem importância.

Qualidade das matérias-primas é primordial.

Técnica é fundamental.

Cultura não é acessório, é autenticidade.

Mas o que é qualidade, se você busca quantidade, não é mesmo?

Se você é uma pessoa que aprecia cervejas de qualidade e entende as premissas, deve ser difícil beber uma cerveja sem criar um julgamento das propriedades sensoriais e por isso, andar para trás, não é uma escolha.

Em 2018 dei uma palestra em Porto Alegre, para o Congresso de Cerveja de POA, onde trazia a reflexão “O que faz uma boa cerveja? ”. Ótimo caminho para pensar sobre toda a complexidade de se fazer um líquido, que a tanto tempo nos acompanha e que tanto já evoluiu do que um dia foi.

Bebemos hoje a melhor cerveja já feita na história. É hora de aproveitar a oportunidade.

Vamos sofrer com os aumentos que já chegaram dos fornecedores. Vamos tolerar as mudanças necessárias das embalagens que estão em falta. Vamos agir como adultos que somos e perceber que o mundo não está em seu melhor momento e que isso traz consequências a todos nós. Nem por isso vou abandonar o barco e voltar a beber as caixas e caixas de cerveja leve, pálida, sem vida e sem histórias. Vou beber menos, mas vou continuar bebendo melhor.



Bia Amorim
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