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Pense por um minuto apenas. E se o mundo não tivesse IPA e Burger?

Por: Bia Amorim

30/09/2019
Pense por um minuto apenas. E se o mundo não tivesse IPA e Burger?

foto: Tim Mossholder via Unsplash

Onde estaríamos neste exato momento se a Coca-Cola não tivesse tomado a frente das bebidas espalhadas por todo o planeta? E se a Starbucks não fosse a gigante do café? Se o chá não tivesse sido fermentado e virado kombucha, onde estaríamos neste exato momento da história? Se a pipoca não estourasse no micro-ondas e se o Gin não estivesse na moda? O steak tartar na ponta da faca e com batatinhas rústica aos alecrim foram apenas um sonho?

 Não quero respostas científicas para minhas perguntas absurdas.

Quero apenas refletir sobre o conceito de terroir....como eu ia falar de cada vinho? Vou cogitar que a água de coco não tivesse sido descoberta. E aquela praia, como fica? Como seria sua vida sem os dadinhos de tapioca com queijo coalho (com geleia de pimenta, claro) novo queridinho das padocas brasileiras (amo/sou)?

Vou além e piso mais ainda no seu sentimentalismo gastronômico gourmet culinário envolvido no paladar emocional. Literalmente formados daquilo que ingerimos, nossas vidas vão se transformando ao longo do tempo, do espaço e da história. Da lasanha, do filet, da bisteca, o molho bechamel, o pernil, a berinjela, o carbonara, o bacon no feijão, o alface, o espinafre, a cenoura que faz bem pros olhos. O que seria da minha memória afetiva sem a cebola e o alho na gordura?

foto Keri Liwi via Unsplash

O que você é se você não come?

Não foi “do nada” que nasceu a coquetelaria. Muita coisa aconteceu “sem querer” sim, como a história das bebidas mais primitivas. Mas nos dias de hoje, vivendo e fazendo o que fazem os humanos, nós evoluímos. Sim ou ainda não ou não tem fim? Aprendemos a lidar com o fogo faz 100.000 anos. Sério CEM MIL, fucinkg anos. Você nem lembra a última vez que riscou um fósforo! Mas tô dizendo que a muito, muito tempo saímos em busca de sobrevivência e hoje estamos em dúvida se o cupom do Ifood é melhor do que o Rappi.

Se não existisse Yakult tudo bem (mentira, sofro), mas se não tivesse café a gente tava tudo lascado. Os avanços tecnológicos que surgiram de desdobramentos da incessante busca pelo alimento e pela bebida, construíram um sistema complexo de sabores ligados à cultura dos locais, agregando tradições e folclores, mitos e histórias. E como se faz hoje em dia, mas via aplicativo, contando uns aos outros o que valia a pena e o que não era bom. Antes era na pedra. Depois no algodão, depois no papel, depois no teclado, depois nas nuvens. Como não voamos? Não estamos mais tão ao chão.

Os aspectos simbólicos que criamos na culinária são parte do que somos como nação e nos uni no garfo e na faca rotineiramente. Somos filhos de nossa terra literalmente. Comemos da terra e dela somos formados. O espanhol Manuel Vázquez Montalbán disse “A gastronomia é um saber gratuito”. Isso faz muito sentido para mim. Pois produzimos alimentos, mas por que conhecemos de culinária, porque estudamos e evoluímos ao longo dos milênios como espécie, compartilhamos. Não só o pão, mas a informação de como fazê-lo.

foto: Artur Rutkowski via Unsplash

Dá um google aí para você ver! Como fazer pão. Farinha e água. APENAS. Desde quando “apenas” farinha e água? Que abundância, de canais no Youtube que te ensinam desde a criar o fermento. “Dias” atrás a gente nem sabia o que fermentava as coisas e hoje em dia são pets em garrafas de vidro com nome.

As constantes transformações observadas na história do planeta e dos humanos, estão diretamente relacionadas à forma como comemos e como debatemos isso. O consumo cada vez maior precisa ser discutido. Olhando para trás sabemos que não é hora de se acomodar e parar de transformar a maneira como gerimos nossos desejos e paladares. Ainda mais em tempos de consciência de que somos um, apenas um planeta vagando cheio de gente querendo tomar IPA´s e comer burgers, mas será que coisas ultra processadas de plantas, é o caminho? 



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