Para o topo
Farofa Magazine
Farofa Magazine

Poesia em fogo

Por: Lili Ribeiro

10/06/2017

1. Á Quem Ascendemos) o Fogo que nos Alimenta?

2. Á Quem damos a chama que nos Alimenta?

3. Á quem delegamos o Fogo que nos alimenta?

(fogo que nos chama para pensar no alimento)

O homem dominou o fogo cerca de 500 mil anos a.C.

Isso parece estar comprovado. Porém, não o dominou

de um dia para o outro, pela graça de um Prometeu. E

antes de o dominar completamente, utilizou-o para

cozer alimentos como indicam as ossadas carbonizadas

que acompanham os primeiros vestígios de fogueiras.

Diferenciando-se de forma definitiva de seus ancestrais

hominídeos, que ainda viviam num estado de

animalidade.

O controle do fogo é tão antigo e representa um passo

de tamanha importância na história humana que deu

origem a inúmeros mitos e teorias destinados a explicar

de que forma ele teria acontecido.

O fogo representa a primeira e mais básica forma de

cozinhar, concebida exclusivamente pelos seres

humanos para transformar a matéria da natureza na

matéria da nossa subsistência e do nosso prazer.

Segundo Lévi-Strauss, em O Cru e o cozido, escreveu:

“Cozinhar não apenas marca a transição da natureza

para a cultura, mas por meio dessa ação e com a sua

ajuda, a condição humana pode ser definida com todos

os atributos". Implica na transformação do cru da

natureza no cozido da cultura. E cada uma das

diferentes técnicas que concebemos para realizar essa

transformação representa uma postura diferente, tanto

em relação à natureza de uma lado e à cultura de

outro. Cozinhar sobre o fogo, assar numa panela, o

tempo, a fumaça, o tempero, o corte, o molho ou fazer

um ensopado sugere uma abordagem mais civilizada.

Alquimias foram refinadas nas cozinhas e nos

mostraram o quanto fomos longe enquanto espécie, e

em quase todos os pratos podemos encontrar os

elementos de uma história, de emoções profundas.

Na Grécia antiga, a palavra para cozinheiro,

açougueiro, e sacerdote, era a mesma: Mageiros, cuja

raiz é igual à da “magia”.

A magia que nos proporcionou comermos juntos ao

redor de uma mesa preparada para um ritual sagrado,

contarmos e fazermos histórias, boas memórias na

chama do conviver e compartilhar.

Auguri, Farofa!!!!



Lili Ribeiro
Lili Ribeiro
Mais artigos deste autor

Comente aqui:
Voltar para a página anterior
download edição atual
FAROFA #3

saiba antes, saiba mais:

artigos

Marcio Beck

Marcio Beck

A cerveja pertence a todos

Bia Amorim

Bia Amorim

A sommelière que habita em mim

Bia Amorim

Bia Amorim

O Bar virtual em tempos de corona

Carlos Braghin

Carlos Braghin

CARTA DE UM QUÍMICO APAIXONADO

Bia Amorim

Bia Amorim

Tomando cerveja sozinha né minha filha?

Camilla Cristini

Camilla Cristini

A comida além da mercadoria: um ode à natureza e à consciência