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Sommelière em sonho

Por: Bia Amorim

18/07/2019
Sommelière em sonho

foto: Amy  PArks via Unsplash

Abriu a porta barulhenta do armário de copos na cozinha. As crianças já estavam dormindo, o sono dos sem boletos. Crrrr! Aquele ranger de porta doído. Surge o pensamento “precisa colocar óleo” como se isso fosse acontecer algum dia. Pego o copo de vidro pequeno mesmo. Não vamos precisar de muito. É madrugada e está tudo escuro. Até o copo. Um abismo. Caio nele e na cama.

David Cohen via Unsplash

Baunilha. Mini pontinhos pretos boiando mais leves que nuvem naquele lago enorme. Caramelo. Aquela cor entre o marrom, vermelho, laranja, amarelo, preto e a doçura que só o açúcar e o fogo poderiam trazer. Mel. Aconchego. Chocolate, com notas intensas. Pimenta, neste tão grandioso reino.

De repente, as águas que estavam calmas começam a se movimentar. Boom, emergio à superfície e foi como se tivesse passado um trem por cima enquanto eu tentava encenar um movimento do cisne negro. Uma língua gigante. U-m-a l-í-n-g-u-a gigante como um peixe fora d´água, se debatendo no chão. Era na verdade um polvo imenso com tentáculos que pareciam várias línguas e as papilas gigantes sugando tudo pela frente. Observei bem e acredito que fosse do reino Animalia, um Octopoda Ale.

Uma faca pesada (e sem fio para meu desespero) surge em minhas mãos mais rápido que a espada da She-Ra. Uma canela gigante e com vida rosnou para mim. Bombas de cravo, espinhosas e ninjas com roupas de tabaco soltavam anis estrelados tentado me acertar. Aquilo era uma batalha sensorial. A harmonia desse planeta estava nas minhas mãos. 

My name is Yanick via Unsplash

Olho para baixo e vejo meus pés presos em uma lama negra. Chove aveia do céu. Tento me puxar pelo galho de carvalho da grande árvore que parecia uma rolha gigante. Consigo me puxar e caio em uma praia de noz moscada. Olho para o horizonte e só vejo montanhas de malte torrado com arroz nos picos, lá o ar é rarefeito. Não existe oxigênio, apenas gás carbônico. De repente, a terra treme e o vulcão de avelã começa a derramar álcool quente e sua fumaça me embriaga.

Trim triim! trriim! O som é da campainha daqueles antigos telefones analógicos, mas é mais fake do que esse sonho pós Pastry Russian Imperial Stout que eu tive. Minha mãe teria dito para não beber tão tarde, que faz xixi na cama. Mas esse sonho só me deu mais vontade de trocar de roupa e ir passar meu café.



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