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Uma cerveja para cada momento

Por: Bia Amorim

20/12/2019
Uma cerveja para cada momento

Foto: Mnm.all via unsplash

Não adianta achar que uma cerveja caríssima, complexa e diferente vai cair bem na festa com seus tios no final de ano. Talvez sirva apenas para você criar um status de rico, mas no fundo eles vão falar entre eles que tava azeda e você é uma pessoa muito metida. O tiro saiu pela culatra e a cerveja pelo ralo. O que quero dizer é que você precisa entender que cerveja é uma questão de escolha para o momento, vamos pensar em algumas coisas.

Qual Finalidade?

Ok, não precisamos de motivo para tomar cerveja! Mas o objetivo pode ser que mude e isso precisa ficar claro. É um jantar entre amigos, um happy hour com a turma do escritório, o almoço de domingo com a família, um encontro de casal - com paquera, sozinhx em casa, a festa do ano, uma despedida, um dia no Karaoquê, um evento especializado? Tem muita coisa acontecendo hoje em dia. Somos uma sociedade em movimento, que com a cabeça mais aberta, nos relacionamos melhor com diferentes culturas e expressões.

Em cidades maiores e capitais, onde a economia e capitalismo traz gente nova e profissionais de todos os tipos. Tem gente vizinha, tem gente de outros países, tem gente nova e velha. Hoje tem gente que não pode com glúten, com muita carbonatação, com muito álcool, com álcool, com restrições de saúde e com restrição de gosto. Vamos respeitar sempre, mesmo que seja diferente do nosso paladar. E o mercado também está atento a esses detalhes. Tem muita opção.

Brahmeiros e afins

Seus amigxs mais antigxs talvez vivam felizes tomando um tipo apenas de bebida, mesmo sabor, bem gelada, bem leve, bem barata. Não querem ser adaptados ao seu gosto e custo. Deixe as pessoas à vontade, não leve lúpulo a quem não quer lúpulo. Essa turma não quer saber que a flor que se adiciona na receita traz notas sensorias de frutas amarelas, cítricos, lichia, chá verde, pinho, terroso e um monte de coisas. Tem uma turma que não se importa. Nem dão like nas suas fotos de garrafas com lindos rótulos ou só pelos rótulos, lindos. Se você pedir para esse pessoal uma Pilsen, bem bem leve de uma cervejaria que saiba fazer lager, já é nota 1.000. Primeiro passo e talvez o último. Ou talvez não e vamos deixar a galera em paz e tomar as azedas sozinhos.

Timothy_Dykes via unsplash

Masterchefs

Tem aquela turma mais ousada, que desconhece sobre cerveja, mas curte gastronomia. O pessoal que vê as centenas de seriados, realitys-shows e programas de culinária da TV. Essa galera vai curtir uma experiência nova. O sensorial de algumas cervejas nos despertam. Uma catharina sour com fruta bem acertada e acidez na medida vai salivar as papilas mais inocentes. Você pode fazer o papel que um dia foi de um pequeno anjo alado, o cupido. Mas tem que ter “Tomperô”.

Topzeras

Degustar algo especial em geral quer dizer que você vai tomar algo caro. E tudo bem também. O mercado tem espaço para os detalhistas, colecionadores, beerhunters. Artigos de luxo são formados com suas narrativas e se concretizam no paladar. Os componentes culturais e autênticos em geral trazem ainda mais valor ao produto. O marketing faz de uma garrafa uma joia que todos querem ostentar. Tem gente que se organiza e faz as chamadas “Bottle Share” “BS”. Tomar bebidas complexas com apreciadores é uma ótima experiência, pois os detalhes são cantados como poesias. Paladares treinados e exigentes querem saber qual cerveja teve seu custo liquidado com maestria. As pastry stout hoje e as NEIPAS são uma amostra do que o mercado de luxo pode fazer quando se toma líquido e fermentado, mas não de uva.

A experiência ruim

Na ânsia de querer estar na moda, pode acontecer de uma pessoa tomar uma cerveja que não agrade. Podemos marcar amargamente um paladar que sempre foi tão dócil. Aquela pessoa vai achar que cerveja artesanal “não é para ela. ”

Uma gose pode custar duzentos reais a garrafa e ter sido trazida em mala especializada. Salivei só de escrever. Pensar na Bélgica, na história, nas leveduras, na fermentação, nas possibilidades e a profundidade azeda que a cerveja vai me trazer. Tem fila para degustar essas belezinhas, mas uma fila pequena aqui no Brasil. Podem dizer que está na moda, mas uma língua cervejeira amadora vai esgoelar e cuspir o azedume, se defendendo da breja estragada na sua perspectiva. Quem sabe uma berliner weisse não será tão agressiva na acidez, mas uma witbier pode ser um bom começo belga e simples.

Giovanna Gomes via Unsplash

Família ê, família A

Não tenha a ilusão de que seus pais não vão gostar de uma Double IPA. Eu ainda me impressiono quando minha tia traz algo bem original do supermercado e meu pai aparece com algo novo até para mim, que estou o tempo todo buscando tendências. Os primos que só estão nas mesmas bandas uma vez por ano, pode ser que curtam aquela blond ale ou até uma rauchbier com o churrasco. Os paladares as vezes são parecidos por terem sido criados juntos e aquela stout com a clássica sobremesa da vó vai fazer um par inesquecível. Fale da economia cervejeira na região para o pessoal de fora. O tempo à mesa em dias de festa são sempre mais infinitos.

It's fashionabeer

A expectativa nas coisas famosas são sempre as mais altas. Se todo mundo tá falando, tá postando, tá comendo e bebendo, deve ser bom e eu quero provar. Não é assim que nosso cérebro funciona? Pois a gente confia nas pessoas e por isso crê na qualidade. Então é preciso mostrar que realidade x expectativa é algo real ou a decepção pode ser alta ou a experiência algo muito legal de se compartilhar. O duelo é esse.

No mercado de roupas, por exemplo, nem sempre o que está na passarela estará nas lojas de departamento e isso é também verdade no mercado cervejeiro. Uma cerveja fermentada com Kveik pode não ser bacana ou como é algo muito recente, não estar ainda com o lote mais “redondo e afinado”. Nem todo mundo consegue entregar uma boa cerveja sem álcool, ou com equilíbrio e sabor em menos de 3%. Mas os lançamentos estão aí para serem provados e testados e criticados. O mercado artesanal é fashion porque é criativo e a moda serve para que as tendências se misturem como puderem em cada lugar que chegar. São cíclicas e sazonais.

Público mais maduro

E tem enfim aquelxs amigxs que entendem, curtem, carregam, envasam, fabricam, apreciam, adoram, compram, assinam e frequentam os bares cervejeiros. Esse pessoal vai tomar um caminhão de IPA em um evento que só tem esse estilo mais amargo. Vão curtir um almoço com sours, tripel, doppelbock, esb, porter e afins. Acontece um importante intercâmbio de conhecimento e uma gastronomia avançada entre gourmands. Essa é uma turma que vive no mesmo life style que você, mas nem sempre são seus melhores amigos. Falam mais sobre maltes e fermentações que bebês e boletos.

E assim, poderíamos citar uma infinidade de situações, como churrascos onde a session ipa pode fazer mais sucesso que qualquer outra ou no happy hour da empresa com weiss, pale ale e todo mundo feliz. Um jantar com helles e lambic framboise ou uma bière de garde para impressionar. A questão é que para cada evento, existe um orçamento, um estilo, e um paladar a se respeitar. Acertar os sabores pode ser o sucesso de um negócio ou de um encontro.

Saúde, em todos eles =)



Bia Amorim
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