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A diversidade no mercado cervejeiro ainda precisa evoluir

29/09/2019

por: Bia Amorim
A diversidade no mercado cervejeiro ainda precisa evoluir
Amanda Reitenbach. Imagem Divulgação.

Na semana que passou, uma entrevista com a CEO do Science of Beer, Amanda Reitenbach rodou a internet, inclusive em países da américa latina. Diversos sites publicaram sobre o assunto e a entrevista dada por Amanda. O interesse da mídia especializada é um sinal muito positivo e que mostra como é importante que a rede dentro de cada nicho funcione a favor da evolução.

A cerveja artesanal tem um discurso muito próprio e fala muito sobre livre-arbítrio. Ouvi um colega dizer “prega tanta liberdade de estilos, tem que ser livre em tudo”. A verdade é que não tem mais lugar para aplaudir atitudes que não se mostrem dentro de uma lista de valores humanos mínimos. E não é só dentro do mercado cervejeiro. Vamos abrir a bolha mais um pouco e colocar a gastronomia e todas as outras áreas, setores e profissões? Sim! Mas falando do meu jardim, no lugar onde vivo, a cerveja artesanal ainda precisa de muito papo.

Muitos projetos estão sendo feitos para que as mulheres possam ter seu espaço. Muitos projetos incluem a diversidade que mostrou existir, não somente com questões de gênero e raça. Os preconceitos da nossa sociedade são extensos e enraizados. O momento é de contemporaneidade.

Nesta entrevista, Amanda falou sobre sua experiência como empreendedora e comenta o cenário atual do mercado cervejeiro sob a perspectiva da participação das mulheres. Ela ainda destaca os desafios e as perspectivas das profissionais que atuam em um setor que ainda é predominantemente masculino. (AQUI) (AQUI) (AQUI). Amanda trabalha com muitas mulheres em sua empresa, ela diz  “é o meu manifesto para dar mais oportunidade e voz às mulheres no mercado de cervejas. Dando oportunidade e voz a outras mulheres. ”

Em entrevista ao jornal El País, Silvia Federici, filósofa e escritora, ativista feminista coloca uma mensagem importante para pensarmos “O feminismo não é somente melhorar a situação das mulheres, é criar um mundo sem desigualdade, sem a exploração do trabalho humano que, no caso das mulheres, se transforma numa dupla exploração." (AQUI)

Ano passado, fizemos na Farofa Magazine uma lista de projetos femininos em destaque no mercado cervejeiro (AQUI) e uma lista com mais de 100 nomes de mulheres que tem destaque no mercado da gastronomia, com nomes em diferentes setores e especialidades (AQUI). Em 2016 o projeto E.L.A foi criado e transformou o relacionamento entre as mulheres do mercado artesanal (AQUI). É importante que esta rede exista e que saibamos que tem para onde olhar e buscar referência. O respeito à diversidade consegue espaço com bons exemplos. Não podemos desistir de trazer à tona essa nova realidade, muito mais interessante e homogênea.

Revista Menu, destacando trabalhos de mulheres e cervejas 2017

“Ter cada vez mais mulheres no mercado e contar com movimentos feministas em geral também a favor da cerveja é de extrema importância para que a gente lute contra esse preconceito que é velado e que todas as mulheres que trabalham no setor passam ou já passaram. Precisamos falar sobre isso, precisamos trazer luz ao assunto para entender que não é mimimi, não é um a reclamação isolada. É uma situação que nós mulheres passamos e identificamos, e que a gente não quer que faça mais parte do trabalho de nenhuma mulher. ” comenta Amanda Reitenbach

Dias atrás tivemos uma dessas famosas “tretas cervejeiras” onde uma pseudo-cervejaria (digo isso porque não existe uma empresa ou registro oficial dela) se colocou a favor de ser preconceituosa com um manifesto de repúdio. “A cervejaria Saint Arnulf é contra a militância LGBT e não teme perder clientes por isso. Ponto final” é a frase escrita e divulgada pelos pré-históricos. (AQUI) (AQUI) (AQUI) (AQUI)

Esses assuntos são incômodos e quase nunca queremos debater sobre isso com outras pessoas, nem tomar partido, nem ouvir e ler sobre isso. Mas é muito importante lidarmos com o desconforto e criarmos uma rede de apoio. Bom, foi isso que mais ficou na minha cabeça depois de assistir o bate papo entre as sommelières Priscila Colares e Beatriz Ruiz, no Instagram com o Stories ao vivo no show “Monday Treta, by Pri”. Elas conversaram muito sobre o espaço da mulher, sobre gênero, sobre escolhas, sobre ser homossexual e isso dentro do mercado cervejeiro, tudo na mesma bacia. Para quem acha que não existe machismo ou preconceito neste de nicho mais apertado, o artesanal, o Craft, é porque realmente não está ouvindo as mulheres falarem e reclamarem educadamente sobre o tema, a tempos.

Esta semana no World Cup of Beer Sommeliers que aconteceu na Itália, com uma apresentação perfeita, se consagrou campeã, Elisa Raus da Alemanha, quebrando o monopólio masculino na competição.  Cilene Saorin, representante importante do mercado cervejeiro brasileiro, fez um bonito discurso no evento para apresentar o nome da ganhadora. Resultados como este trazem um ponto de luz e mostram que é importante nos dedicarmos, estudarmos e mostrarmos que competência está acima de gênero e preconceito.

World Cup of Beer Sommeliers 2019 , campeã Elisa Raus da Alemanha foto: Doemens divulgação

Se ainda temos dificuldade em tratar sobre gênero feminino e masculino, que dirá sobre as discussões que estão muito mais em baixo desta superfície? Assuntos polêmicos ou assuntos difíceis de colocar na conta? É preciso maturidade para entender que a cerveja precisa ser mais inclusiva quando fala em divulgar cultura e sabores cervejeiros artesanais. As novas gerações que chegaram a maioridade estão carentes de discursos mais bem colocados e mentes abertas.

Não vai sobrar ales e lagers primitivas, mesmo que o líquido seja bem feito e o marketing bonitinho. As antigas propagandas não vão deixar saudades (AQUI). E tem muita gente que já entende isso, principalmente as grandes cervejarias, mais conectadas e vanguardistas neste ponto de vista (AQUI). É só olhar a comunicação das marcas e entender que é importante não deixar as pessoas de fora, principalmente quem está escolhendo seu produto!

Quer saber mais sobre projetos legais na gastronomia que englobam temas sobre diversidade?

AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI

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