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Adeus 2019 da consolidação, bem-vindo 2020 dos desafios no setor cervejeiro

23/01/2020

por: Bia Amorim
Adeus 2019 da consolidação, bem-vindo 2020 dos desafios no setor cervejeiro
Giovanna Gomes via Unsplash

Com certeza 2019 foi um ano em que muita coisa aconteceu no mercado cervejeiro e o ano de 2020 chega com muitos desafios. Alguns tópicos a serem abordados, pensados e discutidos pelo setor. Fui convidada pelo site Guia da Cerveja (matéria originalmente publicada aqui), para escrever alguns insights sobre o mercado e fiz uma lista.

  • Tivemos uma enorme sintonia entre as políticas das grandes e pequenas cervejarias e o amadurecimento da Abracerva e suas importantíssimas reuniões. A existência do “Fla x Flu” entre as grandes e as artesanais é saudável em partes, pois traz à tona debates importantes.
  • O Ministério da Agricultura (Mapa) se mostrou pronto para o presente e o futuro, já que estava no passado. Este é um ano de elogios ao trabalho feito pelo Ministério, que nos entregou uma forma mais rápida e eficaz nos registros, mas também trabalhou para colocar em prática a IN 65 e a criação de formatos onde o mercado consiga se pronunciar, como a Câmara Setorial.
  • Grandes eventos consolidados: o Mondial de la Bière se mostra cada vez mais imprescindível tanto no Rio quanto em São Paulo, o Slow Brew esgotando convites e divertindo geeks e apreciadores, o IPA Day crescendo para outras praças, Blumenau com público cada vez mais regional, mas consistente, e a Copa de POA ganhando território com o bom enlace latino. Já eventos menores ganharam o espaço regional que merecem, mas ainda com lição de casa a fazer.
  • A mineira Zalaz está dando uma aula de sustentabilidade e criatividade. Cervejarias do interior do estado de São Paulo estão mostrando que são boas de fazer marcas ciganas e desenvolvem cada vez mais ferramentas, pois para o serviço ser 100% já não basta mais entregar cerveja pronta e só. Há muitas cervejarias se expandindo, investindo e também entendendo que criar taproom talvez seja a maneira mais fácil de lidar com o consumidor e as cargas tributárias e logísticas.
  • O crescimento da cerveja artesanal no Norte e Nordeste está indo bem, mesmo que em ritmo mais lento, e tem alcançado bons números.
  • A Lagunitas chegou ao mercado para lidar com um público que não se importa com o discurso artesanal, mas quer uma cerveja boa e que tenha outros engajamentos e um bom discurso. Cada vez mais entendemos que se ficarmos na bolha não vamos sobreviver – as marcas precisam estar mais conectadas com o consumidor.
  • A Eisenbahn deu um show com as escolhas feitas na mudança do reality-show Mestre Cervejeiro, convidando influenciadores para mostrar como é a vida real para quem não conhece sobre cerveja e sobre diversidade.
  • A Colorado se manteve fiel à expansão dos bares da marca e à conquista de mais espaço com as franquias, enquanto a Pratinha, depois de entregar muitas novidades em 2019, como foi o caso da Magic Booze e das interações com IA e Machine Learning, virou um braço importante de inovações para a Zx, empresa craft da Ambev. No começo de 2020 vimos a Lohn ser também incorporada em uma nova parceria com a grande. Quem é visto, é lembrado.
  • O ano de 2020 vai ser de desafios, pois, com o otimismo na economia, o crescimento chega, mas estarmos prontos é outra prateleira. A burocracia nas vendas para quem vai crescer para outros estados precisa vir com consistência e inteligência, então acredito que deve haver mais investimento na parte de gestão e assessoria jurídica.
  • Temos o desafio da nova regulamentação de rotulagem de garrafas.
  • Vamos observar as consequências das novas mudanças na liberdade de ingredientes a serem colocados nas receitas, com a liberação de lactose, mel e outros produtos de origem animal. Podemos criar monstros, saborosos ou ruins.
  • O país está em foco e muitas cervejarias de fora, como a Brooklyn, estão concentrando esforços por aqui. Mas com a alta do dólar só ganha quem produzir “in loco”. No caso das Japas, se mostraram um passo à frente quando o assunto é networking externo e já estão bombando em lugares da cena cervejeira nos Estados Unidos, produzindo por lá.
  • As tendências gringas continuam a bater em nossa porta e cervejas menos alcoólicas ou 0% ABV devem ter crescimento alto e mais aceitação, com sabores mais bem construídos. A Heineken investiu bastante nesse segmento e tem apresentado o produto pelo mundo.
  • Estou curiosa para ver uma melhora no conteúdo postado pelas redes sociais das marcas e não apenas “recebidos” de influenciadores. É preciso ir além do básico e mostrar que existe interesse em divertir e entreter melhor os consumidores, com qualidade.
  • Muitos lançamentos de cervejas, eventos e novidades devem surgir com a melhora nos ânimos econômicos.
  • Com o crescimento dos concursos cervejeiros nacionais neste ano, os empresários cervejeiros podem aproveitar a oportunidade e ter feedbacks bem feitos, com percepções do seu produto e um mini relatório sensorial. É importante ler sem levar para o lado pessoal, rever os processos e ingredientes que usam e, como resultado, ter um produto final sem defeitos, mais técnico e maduro, o que traz mais drinkability e recompra.
  • O caso da Backer, depois de solucionado, deve mostrar ao mercado como um todo que precisamos aprender a lidar de forma séria com diversas questões que vão nos assombrar como resultado desta catástrofe.

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