Para o topo
Farofa Magazine
Farofa Magazine
página inicial » Editorial »

Conheça a história empreendedora do Burgay, a hamburgueria mais gay de SP

03/09/2019

por: Fran Micheli
Conheça a história empreendedora do Burgay, a hamburgueria mais gay de SP
Rafael Lundgren Carrilho, o dono da p**** toda. Foto: divulgação

Sexta-feira à noite, bateu a fome. Que tal pedir um Grão de Beesha com bastante queijo, ou um Camemberro, ou um Brie.tney bem suculento acompanhado de uma porção de Pabblitos de Mozzarella? Para completar o tombamento dos nomes dos lanches, os pães ainda vêm decorados com glitter comestível.

Essas são algumas das criações do Burgay, hamburgueria voltada, adivinha, para o público LGBTQI e que atende exclusivamente pelo iFood, na cidade de São Paulo. A sede fica em Pinheiros.

Do cinema para a chapa

O idealizador do negócio, Rafael Lundgren Carrilho, 29, é quem põe a mão na massa. Quer dizer, na chapa. Carioca, roteirista e diretor de cinema, Rafael é mais um que se desesperou com as políticas públicas atuais para a cultura e, diante a crise envolvendo a produção audiovisual brasileira, decidiu mudar o script da própria vida.

Desiludido com as políticas culturais, Rafael Lundgren apostou na representação LGBTQI na gastronomia. E deu certo. Foto: divulgação.

Já que amava cozinhar e os amigos eram loucos pelo seu hambúrguer, resolveu então que era hora de apostar na gastronomia para viver. E deu certo. Inaugurado em no final de junho de 2019, o Burgay já tá bombando tanto que Rafael quase não teve tempo pra responder a essa entrevista.

A ideia, a princípio, era abrir um negócio pequeno “até a situação dar uma melhorada”. Na hora de criar o plano do negócio, cuidou da parte burocrática, mas, principalmente, olhou pra si mesmo e tentou tirar dali o propósito do seu novo trabalho.

“Era um momento muito pessoal por várias questões, por eu estar tentando me levantar, me reerguer, olhei pra tudo o que passei na vida. Você sabe que não é fácil ser LGBT no Brasil, é muita rejeição, muito preconceito”, conta. “Então pensei em usar o humor com as duas coisas que melhor sei fazer na vida que é cozinhar e ser viado”, diverte-se.

O crescimento  

Disposto a encarar a mudança de vida, Rafael então se jogou na criação da identidade do negócio e na elaboração das receitas. E tudo começou fazendo os lanches em casa, porém, problemas com o síndico motivaram uma mudança. “Tinha dia que tinham sete entregadores na porta do prédio e ficou insustentável”. Mudou-se então para uma portinha em Pinheiros, exclusivamente para delivery, sem espaço para serviço. “Mesmo assim, muita gente vem aqui, pede um hambúrguer e fica na rua tomando uma cerveja”.

E com tanto sucesso, era inevitável: o Burgay está se mudando para um local maior. “Graças à santa Gaga”, comemora Rafael.

Gaga: hambúrgueres com muito queijo no pão rosa com glitter comestível. Foto: divulgação

Criação dos lanches

A criação dos nomes dos sanduíches, segundo Rafael, veio da própria vivência na cultura gay. “Grão de Beesha”, “Camemberro”, “Pussycat Dogs” e “Briet.Ney” são algumas das opções do cardápio. Um dos destaques é o Gor.Gwen.Zola, hambúrguer de 160g com creme de gorgonzola e farofa de nozes.

“Nâo foi tarefa fácil combinar os ingredientes com os nomes, mas foi um trabalho muito gostoso de fazer”, diz.

Segundo Rafael, os feedbacks estão sendo muito positivos. E o processo 100% artesanal tem ajudado muito no reconhecimento de tanta qualidade e dedicação. A carne é comprada fresca e moída no local e é Rafael quem cuida de tudo: desde os blends de carnes para os hambúrgueres, até a produção da maionese e da cebola caramelizada.

Madonna, o clássico dos clássicos. Cheeseburguer com alface, tomate, cebola roxa e pickles no pão rosa com glitter comestível | Foto: divulgação

União, orgulho e não ao pink money

O maior feedback, para o empreendedor, é a resposta das pessoas a respeito da representação gay na cena gastronômica. Para ele, qualquer bandeira levantada para uma minoria hoje é um ato político. “Falamos muito em pink Money, na indústria que usa a causa gay pra faturar mesmo não sendo composta por gays ou vivendo a cultura. Aqui, eu sei exatamente o que é ser gay. Não quero usar essa cultura, eu quero exaltar essa cultura. Quero unir a comunidade. E quero fazer isso comendo”.

Apesar do foco no público gay, o público hétero vem crescendo pela identificação com o bom humor e com a causa. Segundo Rafael, tendo cabeça aberta e consciência, será sempre bem-vindo.

O Burgay atende de segunda a quinta das 17h a 1h e de sexta a domingo das 5h às 6h. Os preços dos lanches do Burgay variam de R$19,90 a R$29,00. Pedidos exclusivos pelo iFood, por enquanto. Em breve, a empresa terá um espaço para atendimento inloco com shows de drag queens, karaokê e outras atrações.

Sugestões da casa:

 

Editorial
Conheça as kombuchas vencedoras do primeiro concurso sensorial da bebida

Conheça as kombuchas vencedoras do primeiro concurso sensorial da bebida

1º Concurso Brasileiro de Kombucha aconteceu em novembro em Porto Alegre e julgou mais de 70 amostras nacionais e do Uruguai.
07/11/2019
Editorial
Retrospectiva cervejeira 2018 - tudo o que rolou no mercado ribeirão-pretano

Retrospectiva cervejeira 2018 - tudo o que rolou no mercado ribeirão-pretano

Ribeirão Preto fermentou muita cerveja, eventos e lançamentos. Fizemos um dossiê de tudo o que aconteceu nas cervejarias da cidade neste ano.
12/12/2018
Editorial
Não há jantar sem um clique

Não há jantar sem um clique

No café, o filtro vem combinado com os Stories. Esse é o texto do editorial que abre a terceira edição da Farofa Magazine, agora mais nacional e abrangente. Um resumo do que a revista entrega em 2019.
18/12/2019
Comente aqui:
Voltar para a página anterior
download edição atual
FAROFA #3

saiba antes, saiba mais:

artigos

Bia Amorim

Bia Amorim

Tomando cerveja sozinha né minha filha?

Camilla Cristini

Camilla Cristini

A comida além da mercadoria: um ode à natureza e à consciência

Marcelo Whately

Marcelo Whately

O que será do mercado da carne?

Marcia Daskal

Marcia Daskal

Dicas para comer melhor em tempos de quarentena

Bia Amorim

Bia Amorim

Eu só queria um copo limpo

Camilla Cristini

Camilla Cristini

"Diz-me o que comes e te direi quem és”