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Dá pra emagrecer quando seu trabalho é comer e beber?

21/04/2019

por: Fran Micheli
Dá pra emagrecer quando seu trabalho é comer e beber?
Ronaldo Rossi no Sem Fronteiras Bar, em Ribeirão | Foto: Fran Micheli

Depois de um piripaque em 2017 em que “o ar do mundo acabou”, o chef e sommelier Ronaldo Rossi chegou ao limite. A falta de ar, a sensação de morte e os 232 kg sufocaram o estilo de vida desenfreado e regado aos prazeres do paladar de um dos profissionais mais respeitados e queridos da gastronomia brasileira.

Há 24 anos no mercado, o chef acumula na bagagem dezenas de restaurantes sob sua tutela, workshops e cursos pelo Brasil, produção de cerveja, julgamentos e outro tanto de atividades que o fazem estar comendo e bebendo o tempo todo. “Em todo lugar que eu vou pra trabalhar sempre tem alguém me recebendo com um bacon, uma cerveja, um churrasco, algo que eu tenha que provar”.

O resultado foram obesidade mórbida, problemas nas articulações, insulina alta, pressão nas altursa e uma qualidade de vida que deixaria qualquer médico ou nutricionista de cabelo em pé. E a ironia da vez: Ronaldo também tem formação em nutrição.

No entanto, foi o fato de ser nutricionista que o ajudou em uma batalha que foi além da perda de peso. Durante o ano de 2018, Ronaldo criou estratégias para sobreviver. “Comecei a colocar cotas no que eu podia comer e beber, diminuí as quantidades, escolhi melhor o que eu estava comendo. Minha meta era me manter vivo por mais um mês, depois mais outro mês e assim sigo até hoje. Planos a curto prazo”.

Sem parar de comer e beber a trabalho, 58 quilos a menos. Foto: reprodução Instagram

Cotas, low carb e renúncias

Foram 67 quilos a menos, com algumas escorregadas no caminho. Ganhou 22 de volta e hoje se coloca nos trilhos para “pagar o que está devendo e recomeçar”, diz. Começou retirando da sua rotina todo tipo de alimento industrializado. Depois partiu para o estilo low carb de alimentação e, por fim, apostou no jejum intermitente.

Para Ronaldo, o problema maior é o descontrole. No início, tonturas, dores de cabeça e mau humor – sintomas comuns de quem passa por uma reeducação alimentar – não o fizeram desistir. Era como tirar a droga de um viciado.

Há algumas semanas, foi preciso provar e avaliar 14 cervejas. Provou o que foi necessário e chamou alguns amigos para irem lá beber com ele e não desperdiçar cerveja. “Dieta pra mim não deve ser algo a ser visto como punição, tem que ser visto como algo que te trará um benefício, uma qualidade de vida. Cada escolha é uma privação e eu fiz a minha escolha. É impressionante o ganho que tive com quase 70kg a menos”.

Atualmente, a meta é chegar aos 115 quilos, o que significa a perda de 51% do peso original. “Estar gordo é uma doença, é como um dependente químico. Mas, se o dependente químico fica livre do seu vício ele não vai ter contato com a droga se não quiser. Nós precisamos comer e beber pra viver e eu ainda dependo disso no meu trabalho. É difícil, complexa a relação”.

Para eixar a trajetória menos pesada, Ronaldo divide suas vitórias e frustrações no seu Instagram, onde criou a hashtag #RRMAGRÃO para quem quiser acompanhar o conteúdo da saga de emagrecimento. E tem também o canal do YouTube Confraria do RR, onde ele fala em vídeos mais longos sobre motivação, dietas e alimentação consciente.

Sugestões do RR para quem trabalha com comida e bebida e precisa cuidar do peso:

- Compreender e respeitar as cotas: o que pode comer na semana e qual o seu limite. Trabalhando com cerveja e comida não tem como não beber, não comer. Se você trabalha comendo e bebendo e grande parte das suas calorias ingeridas vem do seu trabalho, é preciso compensar no resto.

- Procure ou crie um grupo de apoio, converse com quem passa pelo menos problema e que tenha o mesmo perfil que o seu.

- A regra deve ser o comer bem. Se quiser exagerar, fazer alguma extravagância, entenda que essa é a exceção. Cometeu um deslize, tudo bem, volte de onde parou.

- Não coloque metas longas. Pense em metas palpáveis: quantos quilos o seu estado te permite perder em um mês, em duas semanas?

- Considere a questão da massa magra e da massa gorda na composição corporal. Não é só a balança que determina o quão você está indo bem. Às vezes o ponteiro da balança não mexe, mas a gordura pode estar dando lugar a músculos, o que é algo extremamente positivo.

Agradecimentos: Sem Fronteiras Bar

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