Que colher é esta e onde ela vai se meter

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Estas linhas iniciais são quase uma autojustificativa para a existência desta coluna. Sim, existe síndrome da impostora quando saímos da cozinha para a mesa com um caderno de receitas, um bom tanto de questionamentos, e dali para o mundo, que pode ser via internet!

Eu não sou uma chef de cozinha ou mesmo uma cozinheira.

Eu ME TORNEI uma cozinheira!

mulher com uma colher de pau em mãos
Essa é a Vera. Foto: Arquivo pessoal

E é assim com todes nós que precisamos, queremos ou somos obrigades a ir para a cozinha para produzir alimento para nós ou para pessoas que dependem de nós para isso.

Essa é uma construção que acontece ao longo da vida das pessoas e é sobre isso que pretendo escrever aqui, compartilhando minha visão sobre culinária doméstica.

E por que deveria escrever sobre isso? Penso eu – mas sei que muitas outras pessoas, certamente mais conhecidas de quem me lê aqui, também pensam desse modo – que cozinhar o próprio alimento é um ato revolucionário (minha filha mais velha, minha revisora favorita, me lembra que escrever sobre a “culinária doméstica” também é, e não tenho como não concordar). Nem sempre conseguimos, nem sempre podemos ou temos acesso a isso, mas cozinhar é um modo de sermos protagonistas sobre o tipo de substâncias que estamos colocando dentro de nossos corpos. 

Quanto açúcar, quanto sódio, quantos “melhoradores” de sabor, preservantes, estabilizantes, espessantes e outros “antes”, a indústria alimentícia nos vende como algo saudável, prático, moderno, quando na verdade são exatamente o oposto? 

Por que essa mesma indústria nos quer fora das cozinhas, ingerindo alimentos prontos, industrializados, ultra processados? Onde iremos utilizar o tempo que, de outro modo, seria despendido na cozinha? O que há de errado em preparar, rotineiramente, nossas refeições?

Sem demonizar a vida de quem ainda precisa do apoio desse tipo de alimento, eu gostaria de falar aqui, neste espaço, sobre trajetórias, possibilidades, realidades, que levem leitoras e leitores a refletir sobre suas próprias vidas e escolhas. Desde o meu ponto de vista, trazendo à luz algo que, sendo particular, possa “apimentar” essa reflexão tão necessária e atual.

Essa conversa, na verdade, se iniciou lá em 2019, nesta postagem que fiz aqui, em que falei sobre possíveis paralelos entre alfabetização científica e a gastronomia.

A Alfabetização Científica e a arte da Gastronomia, existe algum paralelo possível?

 Sem desandar o angu, é nessa panela onde pretendo meter minha colher.

Vem comigo, pois vou te levar a querer experimentar coisas deliciosas, “esquisitas”, inesperadas … ou não!

02.03.2022

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Eu poderia fazer aqui uma longa introdução sobre