Em imersão de 4 dias no Vale do Ribeira, São Paulo, grupo conhecerá chazais da região, processo de fabricação, plantações abandonadas e a curiosa história do chá no Brasil

Desde 2016, a Rota do Chá leva estudiosos e profissionais do setor para uma visita guiada por entre as plantações de Camellia Sinensis – planta que dá origem ao chá – localizadas na cidade de Registro, em São Paulo. Este ano, a Rota acontece de 9 a 12 de novembro, com patrocínio da Expertease e Espírito do Chá, e irá apresentar as famílias produtoras e levar os participantes a uma imersão profissional, técnica e histórica.

De acordo com pesquisa da Euromonitor International (Agosto/2021), o consumo de chás e infusões no Brasil cresceu 25% entre 2013 e 2020, quase o dobro da média mundial de 13% no mesmo período. As empreendedoras responsáveis pela Rota, Renata Acácia (Infusorina) e Yuri Hayashi (Escola de Chá Embahu), notaram tam ém um interesse crescente na experiência e na bebida em si pelo público brasileiro.

As organizadoras do evento, Renata Acácia e Yuri Hayashi | Foto: Fran Micheli

Para Renata, o evento é uma oportunidade de criar conexões entre a comunidade do chá. “A Rota é um divisor de águas na história de quem participa, tanto no aspecto técnico quanto cultural. Além da vivência humanista, os profissionais fazem networking e criam uma comunidade forte que impacta positivamente nos seus negócios”.

É um movimento de valorização do chá brasileiro, o que não existia antes. É um passo para que os brasileiros conheçam o tesouro produzido por aqui, que entendam a importância e a qualidade de um produto que carrega ancestralidade, trabalho e história de famílias japonesas pioneiras”, diz Yuri.

Rota valoriza o trabalho de famílias de imigrantes

A história do chá no Brasil passa, basicamente, pela trajetória de três famílias, instaladas na cidade de Registro: os Amaya, os Shimada e os Yamamaru

Há 102 anos em Registro, a família Amaya está na terceira geração e hoje possuem a última fábrica de chá de grande porte no Brasil, fornecendo chá preto de alta qualidade para grandes empresas como Coca-Cola e Matte Leão. O primeiro chá gelado lançado pela Pepsi nos EUA, em 1960, também levou o chá da família em sua composição.

Já a família Yamamaru mora em 7 Barras desde 1918 e recuperaram recentemente os chazais abandonados pelos primeiros imigrantes, tomados pela Mata Atlântica. Hoje, se dedicam ao cultivo pelo sistema agroflorestal (SAF) em consórcio com o palmito juçara. O processamento é totalmente artesanal e produção limitada.

Chazal do Sitio Shimada _ foto Claudio Brisighello.jpg
Os Shimada têm a dona Ume, 95, como matriarca. Foi ela que, em 2014, aos 87, lançou a própria marca de chá para salvar os negócios da família e reavivou a produção de chás especiais no Brasil.

Chazal abandonado e chás premiados

Um dos pontos mais aguardados da visita é o chazal da família Yamamaru, que foi recuperado após 28 anos de abandono. As árvores de Camellia Sinensis cresceram em meio à Mata Atlântica, o que criou um terroir único. Por conta dessas características, o chá artesanal da família, cultivado em sistema agroflorestal, premiado no Concurso Brasileiro de Chás 2023, que também premiou o chá preto do Sítio Shimada.

São poucas vagas para a Rota do Chá de 2023 e as vagas para a edição 2024 serão abertas simultaneamente. O pacote não inclui hospedagem, mas a organização tem parceria com um hotel da cidade de Registro e as diárias saem por a partir de R$130. Traslados, almoços, material didático, visitas guiadas e certificado fazem parte do ingresso.

SERVIÇO
7ª ROTA DO CHÁ EM REGISTRO / SP

Quando: 09, 10, 11 e 12  de novembro
Quanto: 2º lote — R$ 2.869,00 em até 10x sem juros
Inscrições: https://infusorina.com/produto/rota-do-cha-2023-imersao-4-dias/

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