Geraldo, da sorveteria, morre aos 79 anos

Geraldo, da sorveteria, morre aos 79 anos

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Símbolo carismático de Ribeirão Preto, Geraldo Caramori emprestou seu nome à sorveteria mais famosa da cidade por mais de 40 anos.

Nesta quarta-feira, 2 de agosto, a notícia de que tinha passado mal pela madrugada e que não tinha resistido a um infarto pegou seus funcionários de surpresa. O velório deverá acontecer hoje à tarde, no Parque dos Girassóis.

De acordo com Benildo Duarte, funcionário da sorveteria por uma década e uma das últimas pessoas a estarem com Geraldo, o dia anterior foi de trabalho e tudo parecia normal. “Ele fez janta pra gente à noite, bateu-papo com os clientes. Estava ficando mais na unidade do Jardim Independência, dizia que queria que os clientes vissem que era ele mesmo quem fazia o sorvete lá. Estamos todos sem chão aqui”.

Dedicação de uma vida

Geraldo sempre tinha um sorriso no rosto e um pouco de sorvete pra distribuir a quem quer que fosse. “Experimenta esse”. E vinha com uma colherzinha do sabor que tinha acabado de sair da máquina.

A labuta começava, todo santo dia, às 6h da manhã. “Daqui ninguém sai sem um sorvete. Já vendi sorvete pra criança de rua que só tinha cinco centavos no bolso, para a Luana Piovani, o pessoal do CQC e o Paulo Maluf. Pra mim é tudo a mesma coisa”, me disse uma vez em uma entrevista, em 2012.

A história do Geraldo começou em 1964, quando ainda era praticamente um adolescente e trabalhava como assistente de uma sorveteria chamada Oscarino, localizada no centro da cidade. O fato de ter cursado apenas até a quarta série do ensino fundamental não impediu o ex-plantador de batatas de aprender a lidar com finanças, gestão de negócios e, claro, aprender a fazer sorvete. E tinha que ser o melhor sorvete.

Casou-se com a dona Neide Rigoni e comprou sorveteria do patrão. Geraldo começou a desenvolver suas próprias receitas, inventando sabores e conquistando uma clientela fiel que vinha de todo canto da cidade. Passado o tempo, abriu junto com familiares mais quatro lojas, que acabaram fechando.

Só na unidade mais tradicional, a da Avenida da Saudade, são 15 funcionários registrados que estão lá em média há 15 anos.

 

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