A cerveja já nasce perto de morrer

A cerveja já nasce perto de morrer

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Imagem: Frank Luca. Via Unplash

Quando brota o trigo, vira malte, dá sabor. Quando cresce o lúpulo, nasce a flor, vira amargor. Quando nasce a cerveja, a levedura dorme e a gente consome. Quando pasteuriza a cerveja, o fermento morre. Enquanto o tempo passa tudo muda.

As vezes parece que eu me esqueço que a cerveja é um produto da gastronomia. No sentido culinário mesmo. Os cereais foram moídos. O líquido foi adicionado. O lúpulo foi para o temperado. As leveduras dançaram, cresceram, transformaram. Um conjunto de itens, transformados pela natureza, para regozijo dos homens. “Bebo porque é líquido, Se sólido fosse, come-lo-ia.” Disse um presidente.

Assim é a cerveja. Fresca e viva, que não precisa correr as estradas do país. Sem passar pelos buracos da crise, preços mais módicos são esperados. Chega no bar mais próximo. No growler. Na chopeira alugada. No restaurante preferido. Casa com as comidas que você faz em casa. Combinação mais contemporânea, impossível.

O frescor muitas vezes é efêmero. Precisa ser colhido rápido. Não há tempo a perder. Precisa de organização. Já ouviu falar na história dos Beaujolais Noveau? Na terceira quinta de novembro, a França chacoalha. É lançado o vinho mais famoso daquela região e que causa frisson no mundo dos apreciadores. Uma corrida contra o tempo. Um mito que carrega consigo a vontade de também ser fugaz.

Alguns estilos pedem tempo. Mas grande parte das receitas devem ser bebidas jovens. Os lúpulos, os aromas, sabores que são frágeis à estação. Ligeiros e leves. Histórias que nos fazem sair de uma zona de conforto pasteurizada. As mudanças nas estações que não nos atingem. O tempo de guarda e de espera são cômodos.

Seremos jovens no gole e velho na sabedoria da escolha. Saúde.

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